Rotina de cuidados básicos ao recém-nascido
Desenvolvido originariamente
para o Hospital São Victor
Estrada do Galeão 994, sala 218
Cacuia, Ilha do Governador
CEP 21931-001
Fones: 3477-4377 e 2462-2737
Material mínimo na sala de parto
Adrenalina (1:1.000)
Bicarbonato de Sódio a 3 ou 8,4%
Expansores de volume: soro fisiológico, Ringer-lactato, albumina a 5%
Naloxone (Narcanâ ) 0,4mg/ml
Dopamina 10ml = 50mg
Atropina 25mg/ml
Soro glicosado a 5 e 10%
Água destilada
A eventual falta de qualquer dos componentes da lista deve ser imediatamente comunicada aos responsáveis pelo Centro Cirúrgico e pela Pediatria.
Assistência ao recém-nascido na sala de parto
A adaptação do recém-nascido da vida intra-uterina para a extra-uterina exige o desencadeamento de uma série de mecanismos complexos, que na maioria dos casos leva ao nascimento de uma criança ativa e vigorosa. Entretanto, aproximadamente 5 a 10% dos recém-nascidos têm dificuldades durante esta transição. A reanimação visa evitar a asfixia perinatal e suas complicações através da assistência imediata e eficaz ao recém-nascido na sala de parto. O sucesso da reanimação envolve conhecimentos de fisiologia perinatal e princípios de reanimação, habilidade em manusear equipamentos e interação na sala de parto entre médicos e enfermeiras.
O curso clínico da asfixia perinatal varia de acordo c/ a extensão e a duração do insulto hipóxico ao Sistema Nervoso Central. De acordo com a intensidade da lesão hipóxica o recém-nascido pode apresentar instabilidade hemodinâmica e irregularidade no padrão respiratório, caracterizando as fases de apnéia primária (fase inicial) e secundária (fase tardia). Tanto a apnéia primária como a secundária podem ocorrer intra-útero, sendo impossível distingui-las logo após o nascimento. Frente a um recém-nascido em apnéia na sala de parto, sempre considerá-lo como em apnéia secundária iniciando-se imediatamente a ventilação com pressão positiva e oxigênio a 100%.
Recepção do recém-nascido pelo médico
Quando nasce em boas condições, os procedimentos são:
1. Secagem do líquido amniótico com campo estéril, previamente aquecido, sob fonte de calor radiante para prevenção da perda do calor.
2. Posicionamento do bebê em decúbito dorsal com leve extensão do pescoço para facilitar a entrada de ar.
3. aspiração cuidadosa das vias aéreas começando-se pela boca para evitar aspiração de secreções pela traquéia e pulmões e reflexo vagal com conseqüente bradicardia.
4. Se o recém nascido não respira faz-se estimulação tátil na sola do pé ou fricção nas costas.
5. Avaliação da respiração, cor e freqüência cardíaca.
6. Clampeamento "definitivo" do cordão.
7. Colocação do bebê junto à mãe.

Antecipação e preparo na reanimação:
a) História: a maioria dos casos de asfixia perinatal pode ser antecipada através de uma anamnese adequada.
b) Pessoal: em toda sala de parto deve estar presente pelo menos um profissional capacitado em reanimação neonatal (pediatra) e outra pessoa adicional prontamente disponível em caso de eventual necessidade.
c) Equipamento: o material necessário deve ser preparado, testado, e estar disponível na sala de parto antes do nascimento de todos os recém-nascidos.
ABC da Reanimação Neonatal
A- Permeabilidade das vias aéreas (airway)
-Posicionamento da cabeça e do pescoço do recém-nascido
-Aspiração das vias aéreas
-Intubação traqueal, se necessário
B- Respiração (breathing)
-Estimulação tátil
-Ventilação c/ pressão positiva (balão e máscara ou balão e cânula traqueal)
C- Circulação (circulation)
-Massagem cardíaca
-Medicações
I -Método dos polegares: utilize os dedos para dar apoio ao dorso da criança e os dois polegares para comprimir o esterno.

II - Método dos dois dedos: utilize a ponta dos dedos de uma das mãos para comprimir o esterno e a outra mão ou uma superfície rígida para apoiar o dorso da criança.
Após cada procedimento devemos reavaliar o recém-nascido e suas respostas às manobras de reanimação observando os sinais: respiração, freqüência cardíaca e cor.
O boletim de Apgar deve ser realizado no primeiro e quinto minutos de vida após as intervenções necessárias e, se o RN ainda apresentar depressão, no 10.o minuto.

OBS: A enfermagem deve providenciar a colheita de sangue de cordão para grupo sanguíneo, fator Rh, Coombs e outros exames, à pedido do neonatologista
Medicamentos
Os medicamentos necessários a reanimação na sala de parto devem ser preparados com antecedência para minimizar os erros de dosagens, não retardarem o seu uso e facilitarem o trabalho do
pessoal envolvido nos procedimentos de ressuscitação.

Cuidados Gerais (à chegada ao berçário)
1. Limpar com água morna e sabão, removendo resíduos de sangue, mecônio, vernix, etc.
2. Tomar peso, estatura e perímetros cefálico, abdominal e torácico.
3. Aplicação de nitrato de prata a 1% para profilaxia da oftalmia gonocócica.
4. Administração de vitamina K1 (Kanakion â ) 1 mg IM
5. Curativo do coto umbilical com gaze embebida em álcool comum
6. Identificar o RN com pulseira própria e tirar impressões plantares.
7. Colocar o RN em incubadora aquecida em decúbito dorsal ou lateral
8. Controlar a temperatura – quando estabilizada proceder a nova limpeza.
Registro no berçário
Compreendendo nome da mãe, tipo de parto, data e hora do nascimento, hora da admissão, sexo, cor da criança, e mais as observações particulares a cada caso, se houver.
Cuidados sistemáticos
Peculiaridades do exame físico do recém nascido
Infecções neonatais
Impetigo: infecção da pele de natureza bacteriana, localizada e fazendo parte do quadro sistêmico. Os microrganismos mais freqüentes são o Staphylococcus aureus, Streptococcus dos grupos A e B e, com menor freqüência, as enterobactérias.
O diagnóstico clínico é feito pela presença de fístulas espalhadas pelo corpo, principalmente nas regiões periumbilical e perineal. Tratamento: - isolamento do RN
Permanganato de potássio - solução 1:40.000 para banho 3x /dia
Pomada de bacitracina ou neomicina após o banho.
Antibioticoterapia quando há comprometimento sistêmico.
Onfalite: infecção do coto umbilical que pode ser localizada ou acompanhar processo sistêmico.
Os microrganismos mais freqüentes são: Staphylococus aureus e enterobactérias
O quadro clínico consiste em hiperemia periumbilical com ou sem secreção que pode ser serosa, purulenta ou sanguinolenta. Tratamento: - limpeza do coto umbilical com álcool e antibioticoterapia.
Rotina de Desinfecção
Lavar e esfregar, freqüentemente as mãos e antebraços com água e sabão, especialmente antes e após qualquer procedimento
Lavar, diariamente, pisos e paredes com água, sabão e desinfetantes.
51 ou mais colônias = ambiente mal limpo
26 – 50 colônias = ambiente regularmente limpo
até 25 colônias = ambiente bem limpo
Limpeza e desinfecção do Ambú:
VSSR-98
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Página criada em setembro de 1998
Ultima Revisão: setembro 25, 2003.