Conceitos e Preconceitos

 

Estudos Epigenéticos sobre a Organogênese hepática

 

Prof. G. L. Santa Rosa

Agosto, 2002

 

Classicamente, há duas grandes teorias sobre a histogênese: preformismo e epigênese. Os neopreformistas ainda admitem que uma célula ou tecido seja predeterminada a ter uma dada evolução; os epigeneticistas consideram que o sentido ou direção do desenvolvimento dependa de estímulos-sinais, externos à célula, de natureza química e função organizadora ou indutora. A filiação, francamente preformista, da escola embriológica dos EEUU fez com que os estudos dos indutores e organizadores, naquele país, caísse no domínio dos bioquímicos e geneticistas.

 

O conjunto de estudos, por meio de análise genética, explante de tecidos embrionários e cromatina in vivo, permitiu identificar os passos reguladores necessários para que o endoderma se desenvolva em um brotamento de tecido hepático e, subseqüentemente, num órgão. 

1.    Os fatores de transcrição Foxa auxiliam a criar a competência para ativar os genes do esboço hepático, ao associarem o endoderma precursor às seqüências reguladoras.

2.    Fatores de crescimento fibroblástico e proteínas osteomorfogenéticas, secretadas por diversas células mesodérmicas induzem o programa genético hepático, enquanto inibem o pancreático.

3.    Os fatores de transcrição Hex e Prox são fundamentais para que os hepatoblastos recém-formados se transformem em células não polarizadas, migradoras, que proliferam mais rapidamente, originando o esboço hepático.

4.    A expansão de um esboço hepático em um órgão hemopoético durante o desenvolvimento fetal depende de uma série de sinais morfogenéticos, que incluem os originados do mesênquima do septo transverso (Bmp e Hgf)e das células endoteliais primitivas (Vegfr2) as quais circundam o esboço hepático antes da formação dos vasos sangüíneos.

5.    Foram identificadas distintas cascatas de transcrição (Hex, Prox1, C-Met, b1-integrina, Smad 2,3) que promovem a diferenciação de hepatócitos e células dos ductos biliares à partir dos hepatoblastos primitivos.

6.    Os fatores de transcrição Hnf4 ( fator nuclear do hepatócito -4) e outros promovem a diferenciação terminal dos hepatócitos, quando o órgão deixa de ser um foco de hemopoése e assume o controle de níveis de proteína e metabolitos, no período perinatal.

7.     

Embora os conhecimentos atuais ainda não nos permitam dominar as etapas existentes durante a diferenciação de células tronco, ou na histopatologia do órgão, já temos os principais pontos de referência, que sepultam as teorias preformistas e apontam para o acerto da teoria do desenvolvimento epigenético.

 

Referência bibliográfica

Kenneth S. Zaret, REGULATORY PHASES OF EARLY LIVER DEVELOPMENT: PARADIGMS OF ORGANOGENESIS,  Nature Reviews Genetics 3, 499 -512 (2002)
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Revisado em 14/08/03