Projeto Conceitos e Preconceitos

 

Microscopia – Ensinar, por quê?

 

Já houve tempo quando o ensino prático da histologia era feito de modo que o aluno colhia material do cadáver , efetuava corte em congelação, corava e diagnosticava ao microscópio. As informações obtidas eram muito precárias e a modernização levou às coleções de lâminas para empréstimo aos alunos (introduzidas no Brasil pelos três pioneiros aos quais este site é dedicado), articulada com salas de microscopia e microprojeção a arco voltaico. Os sistemas de iluminação evoluíram com a introdução das lâmpadas de vapor de mercúrio, xenônio e halógenas, enquanto que as lâminas das coleções passaram a se desgastar mais rapidamente e suas preparações artesanais foram substituídas pela produção automatizada, de qualidade um tanto discutível.

A evolução da legislação dificultou a obtenção de tecidos humanos normais bem preservados e os movimentos sociais vem-se opondo à experimentação animal. Os microprojetores não mais dispõem de peças de manutenção. Por outro lado o enfoque das Ciências da Saúde vem migrando da microscopia óptica de luz natural para a microscopia de fluorescência, microscopia eletrônica de transmissão, de varredura e microscopia a laser confocal o que minimiza a importância do diagnóstico histológico tradicional.

Dentro do atual contexto não nos parece cabível continuar exigindo dos alunos o estudo de microscopia através de aulas de desenho microscópico, como se fazia há mais de 50 anos. A possibilidade do armazenamento eletrônico de imagens microscópicas de alta qualidade permite o acesso do aluno o acesso a imagens excelentes em quantidade e diversidade maior que a oferecida a seus mestres durante todas suas vidas. Cabe aos mestres recolhe-las classifica-las e distribuí-las.

É nas imagens eletrônicas que o futuro profissional poderá vir a atuar e, portanto, é nelas que deverá exercitar-se e treinar sua interpretação. O aluno com acesso a um microcomputador alcançará, via CD-ROM ou via Internet um mundo de informações que definirá o profissional do século XXI.

Chega a ser criminosa a utilização das escassas verbas universitárias em microscópios e microprojetores sem considerar que um obsoleto microscópio de estudo, refugado no primeiro mundo, custa o dobro de um microcomputador Pentium 166 com multimídia, desses que o governo promete disseminar pelas escolas de primeiro grau! Igualmente absurda é a concentração de microcomputadores de marca, cujo único software é o editor de texto inadequados ao upgrade, para uso como máquinas de escrever pelas secretárias das universidades.

Nossas elites despreocupam-se do problema porque seus filhos, ambientados ao micro doméstico, ao CD-ROM, à Internet e à TV a cabo, mantém as melhores oportunidades de distanciamento daqueles que lutam pela ascensão social e que ficam restritos aos obsoletos métodos do ensino tradicional. Sem dúvida a conta telefônica é despesa ínfima em relação a mandar um filho estudar no exterior.

Quando os alunos universitários lembrar-se-ão de iniciar o Movimento dos Sem Micro e pugnar pela montagem pelas próprias universidades de micros sem marca, passíveis de upgrade, como se faz nas universidades estrangeiras.

Use nossas páginas! Divulgue! Participe!Envie eMail ou use o guestbook

Sign My Guestbook Guestbook by GuestWorld View My Guestbook