Projeto Conceitos e Preconceitos

Nichos Ecológicos justa-epiteliais
Prof. Dr. G. L. Santa Rosa
 

A formação de uma consciência ecológica foi a grande revolução da Biologia do século XX. O Homem deixou de se ver como um Ser superior, criado à imagem e semelhança de Deus, e reconheceu-se como uma das criaturas. A Histologia não ficou imune a esta mudança. Os epitélios, vistos outrora como tecido protetor, com a missão teleológica de isolar o organismo do meio exterior adverso, passou a ser visto como uma interface entre o organismo e o exterior. A fisiologia desta interface passou a ser compreendida de maneira inteiramente despida de implicações teleológicas. Compreendemos que determinados epitélios são capazes de realizar funções específicas porque sua morfologia os capacita e não se admite que tenham a intenção ou a missão de dar aquela resposta.
O rgãos como as tonsilas, o apêndice e as placas de Peyer, passaram a ser melhor compreendidos (G.A.L.T.) após o aprofundamento dos conhecimentos sobre o sistema imunitário. A presença de uma flora nestas localizações foi relacionada com a presença de nódulos linfáticos sub-epiteliais e caracterizaram-se células captoras de antígenos (células M) entre as células epiteliais. Dentro deste contexto o termo nicho ecológico foi aplicado inicialmente a estas formações linfáticas, onde as condições de estagnação do meio externo, captação  de antígenos e respostas imunológicas acham-se topográficamente congregadas.
A  conceituação do couro cabeludo como um local com flora e fauna bem definidas, associado à presença de células captoras de antígeno (células de Langerhans) no epitélio, e com um ambiente propício fornecido por secreções glandulares de alto teor nutritivo e descamação epitelial, utilizada por ácaros microscópicos, nos permite agregar estes microambientes ao conjunto dos nichos ecológicos, ressalvando a ausência de uma resposta imunitária local. Com esta ressalva, da ausência do tecido linfático, locais como vagina, ectocérvice, regiões pilosas axilares e pubianas são também sítios ou nichos ecológicos justa epiteliais, nos quais é propiciada uma flora local, inadequada à proliferação de agentes patogênicos. Para os pouco afeitos ao raciocínio fisiológico, poderia parecer tentador assumir um ponto de vista teleológico de que tais nichos existissem para,  ou com a missão teleológica, de proteger o organismo de agentes patogênicos.
indústria farmacêutica e a cosmetologia devem estar atentas, pois as modificações que venhamos a imprimir nos ecossistemas pilosos, pela utilização de shampoos contendo antisépticos podem favorecer a proliferação de micro-organismos patogênicos. A utilização de produtos alimentícios como farinhas de trigo ou de soja, leite, óleos vegetais, ovos, pepino,colágeno, elastina, cenoura, etc. na composição de produtos de higiene capilar tem sido experimentalmente relacionada com a captura destes antígenos. Alguns casos de alergia alimentar e uns poucos casos clínicos nos quais esta alergia alimentar está relacionada com lesões granulomatosas do íleo terminal indicam a conveniência de se alertar a população sobre os riscos desta utilização anti-natural de produtos naturais.
Em especial devem ser alertados os veteranos de nossas universidades, muito propensos a utilizar tais misturas naturais na cabeça dos calouros
 

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